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Gamertag: Willian Braga XFIRE ID: neverping Steam ID: neverping
Default O impacto do clima na cultura

05-01-14, 18:18 #1
TÁ, EU SEI QUE É DA VEJA, MAS É UM TEXTO INTERESSANTE DE QUALQUER FORMA.

http://veja.abril.com.br/blog/rodrig...r-de-40-graus/

Após sentir na própria pele o calor equivalente a quase 50 graus no Rio (sensação térmica), duas coisas vieram à mente: Carrier deveria ser canonizado, e Montesquieu tinha um ponto quando falava da influência do clima na cultura de um povo.

Tentei imaginar um típico carioca hoje, sob o sol escaldante, refletindo sobre Nietzsche ou Schopenhauer, e a cena não se sustentava. O que vinha em seu lugar era sempre a imagem de um Homer Simpson da vida, dizendo: “Não enche o saco e me dá logo outra cerveja”.

É duro cobrar reflexões mais profundas em meio a esse calor ridículo digno de um deserto árido. Mas, como o outro pensamento que veio à tona foi justamente a invenção do ar condicionado, podemos constatar que o clima, ainda que possa influenciar, não determina a cultura. O progresso tecnológico pode superar tais barreiras naturais. Com base nisso, segue um texto meu sobre o instigante tema:

O impacto do clima na cultura

“A pátria do capital não é o clima tropical com sua vegetação exuberante, mas a zona temperada.” (Karl Marx)

Não acredito em determinismo de nenhum tipo, seja genético, social, climático ou histórico. Nenhuma força exógena ao homem determina seu destino. Como disse Viktor Frankl, “entre o estímulo e a resposta, o homem tem a liberdade de escolha”. É a crença no livre-arbítrio humano, da qual compartilho.

Mas isso não quer dizer, naturalmente, que o homem não sofra influências que podem contribuir muito para suas escolhas e, portanto, trajetória. Nesse contexto, o clima sempre foi bastante citado como fator relevante para a formação de diferentes culturas. A natureza contribui – para o bem ou para o mal – na moldagem da mentalidade predominante de um povo.

O filósofo Bentham, por exemplo, disse que “entre as circunstâncias externas pelas quais a influência da educação é modificada, as principais são aquelas agrupadas sob a rubrica do clima”. Ele acrescentou: “Nos climas quentes, a saúde do homem tende a ser mais precária que nos frios; sua força e rijeza, menor; seu vigor, firmeza e constância mental, menor; e portanto, indiretamente, sua quantidade de conhecimento é também menor. O pendor de suas inclinações é diferente, e isso de modo mais notável no tocante à sua maior propensão para os prazeres do sexo e à precocidade da etapa da vida em que essa propensão começa a se manifestar: suas sensibilidades de todos os tipos são mais intensas; suas ocupações habituais mais para a lassidão que para a atividade; a constituição básica de seu corpo é, provavelmente, menos forte e menos rija; a constituição básica de sua mente é menos vigorosa, menos firme e menos constante”.

Vários outros pensadores depositaram no clima uma importância elevada na formação cultural de um povo. Montesquieu, por exemplo, disse que “nos países frios há menor sensibilidade aos prazeres; nos temperados, ela é um pouco maior, e, nos países quentes, ela é extrema”. Ele disse ainda: “O calor do clima pode ser tão excessivo que o corpo perde todo o vigor. A prostração alcança, dessa maneira, até mesmo o espírito: nenhuma curiosidade ou nobreza de propósito, nenhum sentimento generoso. Todas as inclinações se tornam passivas, e a preguiça se confunde com a felicidade”.

Kant foi bastante direto também: “A excelência das criaturas pensantes, sua rapidez de apreensão, a clareza e a vivacidade dos seus conceitos, os quais chegam a elas pelas impressões do mundo externo, a capacidade de combinar esses conceitos e, em suma, toda a extensão da sua perfeição tornam-se mais altas e mais completas na proporção direta da distância do seu lugar de moradia até o Sol”.

David Hume também responsabilizou o clima pela situação nos trópicos: “Por que razão as pessoas que vivem entre os trópicos ainda não conseguiram desenvolver nenhuma arte ou civilidade, nem aprimorar política alguma em seu governo, nem disciplina militar alguma, enquanto poucas nações nos climas temperados se viram privadas desses benefícios? É provável que uma causa desse fenômeno seja o calor e a constância do clima na zona tórrida, que tornam menos necessárias para os seus habitantes as roupas e as casas, e assim eliminam, em parte, aquela necessidade que é sempre o maior estímulo ao trabalho e à invenção”.

John Stuart Mill, ao constatar que as nações detentoras do melhor clima e do melhor solo não têm sido as mais ricas ou as mais poderosas, também apelou ao clima como justificativa: “A vida humana nessas nações pode ser mantida com tão pouco que os pobres raramente sofrem de ansiedade, e, nos climas onde o mero existir é um prazer, o luxo que eles preferem é o do repouso. Energia, sob o apelo da paixão, eles a possuem em abundância, mas não aquela que se manifesta no trabalho contínuo e perseverante. E, como eles raramente se preocupam o bastante com objetivos remotos para estabelecer boas instituições políticas, os incentivos à industriosidade são ainda mais enfraquecidos pela proteção imperfeita dos seus frutos”.

Malthus acreditava que “o selvagem dormiria para sempre sob sua árvore se não fosse arrancado do seu torpor pelo ardume da fome ou pelo incômodo do frio”. Ele escreveu: “Naqueles países onde a natureza é mais redundante na produção espontânea, não encontramos habitantes que se notabilizem pela agudez de intelecto. A necessidade foi chamada, com muita verdade, de a mãe da invenção”.

Thomas de Quincey disse: “Ao cooperar, por meio das tentações que oferece, com o langor luxuriante dos nativos, o clima se torna uma maldição desabilitadora dos melhores instintos da população”. Emerson também aderiu a esta explicação: “O solo difícil e os quatro meses de neve tornam o habitante da zona temperada do norte mais sábio e mais capaz que o seu par abençoado pelo perpétuo sorriso dos trópicos”. Alfred Marshall foi mais um nessa linha: “Um clima quente prejudica o vigor. Ele não é de todo hostil ao trabalho intelectual e artístico superior, mas impede as pessoas de se tornarem aptas a suportar um esforço muito intenso de qualquer tipo por maior tempo”.

Em resumo, vários pensadores depositaram no clima certa responsabilidade pela maior indolência, preguiça ou passividade observada nos trópicos. A necessidade de conviver num ambiente natural mais hostil pode ter colaborado para que os povos do norte desenvolvessem maiores aptidões para a produção. No Brasil, um pobre com poucos recursos consegue não apenas sobreviver, como pode também desfrutar de um lazer gratuito como a praia. Nos países escandinavos, a probabilidade de esse mesmo pobre morrer de frio é bem maior. Fora isso, o clima tropical sem dúvida é mais propenso a manter uma população sem grandes ambições, numa condição de quase completo dolce far niente. É uma espécie de convite tentador ao hedonismo, ao carpe diem.

Mas nada disso é uma imposição inexorável. A Austrália é um bom exemplo para provar que é possível um povo prosperar num clima tropical. O clima tropical pode ser uma barreira ao progresso capitalista, mas não é um obstáculo intransponível de forma alguma. Roberto Campos afirmou: “Os que crêem que a culpa de nossos males está em nossas estrelas e não em nós mesmos ficam perdidos quando as nuvens encobrem o céu”. Ele estava certo.

A responsabilidade pelo atraso cultural brasileiro, pelo nosso “jeitinho”, pela mentalidade que enaltece a “Lei de Gérson”, não pode ser jogada nos ombros dos “loiros de olhos azuis”. Ela é somente dos próprios brasileiros. Afinal, podemos mudar para melhor, independente do clima. A receita foi dada pelo colega de Campos, Eugênio Gudin: “Os países da América Latina não precisam criar uma civilização. Ela já foi criada pela Europa nos últimos quatro séculos. Cabe-nos assimilar essa civilização”.


Afora, se me dão licença, vou ler um pouco de filosofia. Boa praia a todos!






Last edited by Never Ping; 05-01-14 at 18:24..
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Painkiller
Trooper
 

Steam ID: PAINKILLER
05-01-14, 18:38 #2
Resumo assim. No Canadá... Alaska... Russia ..... Mendigo morre congelado!

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Eluan
Trooper
 

Steam ID: eluancm
05-01-14, 20:03 #3
Mas a Rússia deve ter mais corrupção que o Brasil aiuehaeoihaeuih

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MdKBooM
Trooper
 

05-01-14, 20:07 #4
A corrupção russa é fruto da experiência socialista.

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Eon
Trooper
 

05-01-14, 20:20 #5
Quote:
Postado por MdKBooM Mostrar Post
A corrupção russa é fruto da experiência socialista.
Fato.

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Painkiller
Trooper
 

Steam ID: PAINKILLER
05-01-14, 22:05 #6
Quote:
Postado por MdKBooM Mostrar Post
A corrupção russa é fruto da experiência socialista.
Quote:
Postado por Eon Mostrar Post
Fato.
2x Fato!

Painkiller is offline   Reply With Quote
Zigfried
Trooper
 

XFIRE ID: k00patroopa Steam ID: koopatroopa_
05-01-14, 22:34 #7
determinismo geografico já é, consideravelmente, batida na ciencia geografica

o clima é mto menos influente que o relevo.

veja o caso dos esquimos e lapoes. duas comunidades polares, sendo os esquimos com arquiteturas mais sofisticadas e os lapoes com bem rusticos.

ou o caso das maias e astecas, que sao civilzações intertropicais e extremamente avançadas.

Zigfried is offline   Reply With Quote
sibs
Trooper
 

06-01-14, 14:38 #8
Obviamente o clima/posição geografica não é o unico fator.

Achei engraçado
Quote:
Subsets

Climatic
Climatic determinism is an aspect of economic geography, also sometimes called the equatorial paradox. According to this theory, about 70% of the economic development of a country can be predicted from the distance between that country and the equator. In other words, the further from the equator the more developed a country tends to be. The paradox applies equally well both north and south of the equator. Australia, for example, has a higher level of economic development than Indonesia. The paradox also applies within countries — the northern U.S. states are more developed than the southern U.S. states.
Singapore is a notable counter-example: it is located at 1.22° N and is one of the world's most prosperous countries. This prosperity is based on its position as a port. Other exceptions to the paradox tend to have large natural resources. (Although Singapore's strict and no-nonsense government system matches the "strict and authoritarian" system that Montesquieu cited as being necessary for a country in warmer areas to succeed by counteracting the environmental complacency of the tropics with human-induced strictures. Saudi Arabia is a good example.)
One popular theory to explain this phenomenon is that development is less necessary in tropical regions - "you can lie in a hammock and pick bananas,"[citation needed] as opposed to the need to invent agriculture and economy in order to prosper and survive. This explanation, while convenient, may not be sufficiently complex to truly explain the equatorial paradox.
Another theory is that tropical countries tend to be plagued by more diseases (such as Malaria, whose transmission depends on a warm climate). Since the tropical country's workers tend to be sicker and die sooner, they will be less productive, and over many centuries the cooler and more disease-free economies will tend to have faster economic growth.
It is noteworthy that the equatorial paradox only emerged from the Modern Era onwards, with more highly developed cultures and economies being present in the tropical and subtropical regions than outside it. In the context of a statistical analysis, the paradox is probably more a consequence of subjugation and colonization. The latter all but arrested economical and infrastructural development, except as needed to fulfil the colonial power's aims. Climatic Determinism was intensely studied by Ellsworth Huntington.
Funciona pro Brasil, o Sul é mais desenvolvido que o norte.

sibs is offline   Reply With Quote
punisher
spkr
 

06-01-14, 16:48 #9
Quote:
Postado por sibs Mostrar Post
Obviamente o clima/posição geografica não é o unico fator.

Achei engraçado


Funciona pro Brasil, o Sul é mais desenvolvido que o norte.
E foi por causa do clima, e não da colonização né?

punisher is offline   Reply With Quote
Vassourada
Cada vez mais ridículos
 

06-01-14, 17:12 #10
Quote:
Postado por Zigfried Mostrar Post
determinismo geografico já é, consideravelmente, batida na ciencia geografica

o clima é mto menos influente que o relevo.

veja o caso dos esquimos e lapoes. duas comunidades polares, sendo os esquimos com arquiteturas mais sofisticadas e os lapoes com bem rusticos.

ou o caso das maias e astecas, que sao civilzações intertropicais e extremamente avançadas.
Exato. Uma explicação muito mais complexa, está no "Armas, Germes e Aço" que discute o "salto civilizatório" da região Euroasiática, em cima de fatores como clima, relevo, vegetação, existência de animais domesticáveis, presença de determinados germes e minérios, etc.

Vassourada is offline   Reply With Quote
u0165
Trooper
 

06-01-14, 18:01 #11
como o zif falou mesmo. determinismo geográfico era coisa séria no século 16...

u0165 is offline   Reply With Quote
sibs
Trooper
 

06-01-14, 21:02 #12
Quote:
Postado por punisher Mostrar Post
E foi por causa do clima, e não da colonização né?
requoting the quote I've quoted before.
Quote:
the paradox is probably more a consequence of subjugation and colonization. The latter all but arrested economical and infrastructural development, except as needed to fulfil the colonial power's aims. Climatic Determinism was intensely studied by Ellsworth Huntington.

sibs is offline   Reply With Quote
punisher
spkr
 

06-01-14, 21:08 #13
eu li, mas sua última frase desconsiderou essa possibilidade que encaixa muito bem com a história do nosso país

punisher is offline   Reply With Quote
sibs
Trooper
 

06-01-14, 21:31 #14
Eu só achei curioso que encaixa pro brasil e pros USA (sul mais fudido que o norte no geral exceção sendo cali) só isso.

sibs is offline   Reply With Quote
Renegade
Trooper
 

Gamertag: BrunoTambara Steam ID: bruno_renegade
06-01-14, 22:11 #15
Nao li, mas de fato. Nos ultimos anos tem esquentado mais. E pelo meu contato a geracao ta mais burra.

Calor, cor quente, vermelho, populacao burra...

Estranho

Renegade is offline   Reply With Quote
vegetous
Trooper
 

XFIRE ID: carniceiru
06-01-14, 22:56 #16
velho que merda de texto, que merda de escritor!

o cara inicia o texto dizendo que é contra qualquer determinismo. passa 95% do texto citando as opiniões mais recentes favoráveis ao determinismo climático (no máximo século XIX).

e conclui brilhantemente no final, que é tudo culpa do jeitinho brasileiro.

que merda de texto sem pé nem cabeça!

vegetous is offline   Reply With Quote
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